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Kim Ho-yeon experimenta o sabor do Brasil e compartilha histórias na Bienal do Livro do Rio

No último domingo, 15 de junho, às 10h30, o público que compareceu em grande número à Praça Além da Página Shell, na Bienal do Livro do Rio 2025, presenciou um encontro inusitado e acolhedor: o autor sul-coreano Kim Ho-yeon, de A Inconveniente Loja de Conveniência, participou do evento “A Loja de Conveniência e o Consultório Literário”, conduzido com leveza e bom humor pelo apresentador e criador de conteúdo Ppakkun.

A primeira parte da atividade teve como proposta colocar o autor em contato com a cultura brasileira por meio de um rito muito comum por aqui: provar as delícias brasileiras e por que não aquelas vendidas em lojas de conveniência? Entre uma cocada que achou “um tanto doce”, uma coxinha que elogiou pela massa “com gosto de batata” e o icônico biscoito carioca Globo, Kim divertiu o público com suas reações genuínas. Em meio aos petiscos, ele confessou já ter experimentado guaraná e caipirinha — e, ao provar pão de queijo com chá mate, não resistiu: “Isso combinaria ainda mais com uma cerveja. Não tem uma por aí?” Depois, brincou que talvez fosse cedo demais, mas ao final foi surpreendido com uma cerveja no palco e brindou ao lado de Ppakkun, arrancando aplausos e risos da plateia.

Entre um gole e outro, Kim refletiu sobre o papel das lojas de conveniência, tema central de seu livro. “Na Coreia, elas são lugares silenciosos e práticos. Mas quis criar uma loja que suscitasse troca, acolhimento, que fosse transformadora — ainda que um pouco inconveniente para os padrões do dia a dia”, explicou. Surpreso com a recepção dos leitores brasileiros, destacou a empatia que encontrou por aqui: “Mesmo que a experiência da conveniência seja diferente, vocês compreenderam o que há de humano na história.”

A conversa também abordou os personagens Dok-go e Geun-bae, figuras “invisíveis” que escutam num mundo barulhento. Kim comentou com franqueza: “Na vida real, eles talvez perdessem o emprego. Mas, na ficção, podem existir com coragem. Eles representam a importância de escutar, de se conectar.” Questionado se se inspirou em alguém real, respondeu com humor: “Meus vizinhos não gostariam de ser meus personagens. Por isso, autores têm poucos amigos — precisamos nos isolar um pouco para criar.”

Após esse momento de interação cultural e afetiva, o evento seguiu para sua segunda parte, com uma conversa sobre o poder transformador da leitura. A psicóloga Cristiana Seixas e as criadoras de conteúdo Suu Gagliano e LIVROSDARO discutiram como os livros nos acolhem, inspiram e nos acompanham, num verdadeiro consultório literário coletivo.

Mais do que uma apresentação, o encontro com Kim Ho-yeon foi um momento de escuta, trocas culturais e afeto — com coxinha, pão de queijo e cerveja como ponte entre Brasil e Coreia do Sul.

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