Capa criada por Lucas Paixão foi coberta no evento
por Danis Mizokami
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo foi marcada por polêmicas envolvendo a vistoria de materiais com conteúdo adulto, desencadeada por uma controvérsia no estande da editora Fruto Proibido.
A fiscalização no evento acabou afetando a NewPOP Editora e a novel sul-coreana Define the Relationship (디파인 더 릴레이션십), de Flona. A organização solicitou que parte da ilustração da capa, feita pelo brasileiro Lucas Paixão, fosse coberta com fita adesiva, o que gerou debates nas redes sociais sobre liberdade de expressão e seletividade.
Entenda o caso da editora Fruto Proibido
A onda de vistorias nos estandes teve início após viralizarem nas redes sociais vídeos de um homem mascarado (usando o disfarce do personagem Ghostface) interagindo com frequentadoras no espaço da editora Fruto Proibido, especializada no gênero dark romance.
Nas gravações, o mascarado aparecia beijando leitoras, pegando-as no colo e simulando atos físicos como tapas e apertos no pescoço. A repercussão levou a Bienal a notificar a editora, ressaltando que a ação não fazia parte da programação oficial do evento nem havia sido autorizada.
Em comunicado, a Fruto Proibido afirmou que não contratou ou pediu a presença de homens mascarados e lamentou o ocorrido. A defesa de Yuri Gagarin, de 30 anos — o rapaz por trás da máscara —, declarou que a participação ocorreu de forma espontânea e não remunerada, iniciando-se com uma gravação combinada entre ele e uma amiga próxima, seguida por pedidos de fotos feitos por visitantes. O episódio gerou preocupação na organização, que passou a fiscalizar expositores de conteúdo adulto para evitar novas controvérsias.
NewPOP e Bienal se pronunciam
Após a repercussão negativa da aplicação de fita adesiva na capa e no painel de Define the Relationship, tanto a NewPOP quanto a organização da Bienal do Livro se manifestaram sobre o ocorrido ao portal UOL.
A assessoria de imprensa do evento informou que a orientação dada durante a vistoria na NewPOP visava adequar a comercialização de publicações com conteúdo 18+ que não apresentavam a indicação de faixa etária visível na parte externa. A organização reforçou que o procedimento atende às normas internas do evento e às exigências do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para a proteção do público infantojuvenil.
O diretor da NewPOP, Junior Fonseca, declarou ter recebido o pedido de tarjar a ilustração com surpresa, mas optou por cumpri-lo para garantir o funcionamento do estande e a continuidade das vendas durante o evento. Ele ressaltou que a editora mantém rigoroso controle etário há 18 anos, vendendo obras adultas lacradas em plástico e exigindo documento de identidade no ato da compra. Junior reafirmou o compromisso da NewPOP com a pluralidade de publicações e ressaltou que as vendas e a recepção do livro pelo público não foram afetadas.
Segundo ele, as vendas do título não foram comprometidas. O público, na internet, questiona a restrição ao título LGBTQIAPN+ enquanto obras +18 com casais heterossexuais não foram censuradas.

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Sinopse de Define the Relationship: A família de Karlyle sempre exerceu controle absoluto sobre sua vida afetiva, determinando até mesmo o casamento político ao qual ele estava destinado desde cedo. Tudo se complica quando ele começa a enfrentar dificuldades em sua vida íntima e recebe uma orientação inesperada de seu médico particular: manter relações apenas com pessoas que não sejam ômegas. É nesse contexto que ele acaba se envolvendo com Ash Jones, alguém que havia beijado seis anos antes, na véspera de Ano-Novo, mas que não se lembrava dele. Convencido de que não desenvolverá sentimentos e acreditando que tudo não passa de um acordo funcional, Karlyle tenta manter a relação no campo do pragmatismo. Com o tempo, porém, ele percebe que está entregando o coração a Ash, enquanto para o outro ele continua sendo apenas uma companhia conveniente. Essa diferença de expectativas torna a convivência entre os dois cada vez mais complexa e dolorosa.